Sábado, Dezembro 4, 2021
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A propósito do plano e orçamento para a região (ou a reforma adiada)

Em vésperas de Reforma anunciada, com Escolas que se debatem com dificuldades estruturais e de recursos, com um corpo docente que nem sempre tem recebido a formação adequada, com quadros desajustados às necessidades, lógico seria esperar que o investimento em Educação na Região aumentasse nos próximos anos, para corresponder às intenções manifestadas pelos nossos Governantes.
Ao ouvir o Secretário Regional da Educação, nos meios de comunicação social, defender com unhas e dentes a Reorganização Curricular, falando em experimentação, aulas práticas, novas tecnologias, e outras coisas que tais, pensámos com regozijo: “Agora é que é ! Finalmente vamos ter as Escolas que faltam, os equipamentos que não temos, as tecnologias (que só são novas para nós, porque em países mais desenvolvidos já se tornaram habituais), mais professores nas  Escolas, melhor  formação para o pessoal, docente  e não docente ! ”
Procurámos assim, cheios de esperança, encontrar no Plano e Orçamento da Região para o próximo quadriénio, as verbas adequadas à concretização do objectivo de uma escola pública de qualidade, exigida pela nova Reforma.
Foi com frustração que verificámos que a construção de algumas Escolas continua adiada e que as verbas destinadas à Educação, em vez de aumentarem, diminuíram relativamente ao quadriénio anterior.
Mas afinal isto não é de estranhar ! Só vem confirmar a tendência que se tem vindo a acentuar ultimamente, se tivermos em consideração os diplomas legais que têm sido produzidos para este sector e algumas afirmações preferidas pelo Secretário que o tutela.
Na realidade, os nossos governantes imaginaram as Escolas como empresas a gerir e que, para serem lucrativas, têm que sofrer uma redução nos custos ao mesmo tempo que se rentabiliza a mão-de-obra. Só assim podemos perceber os sucessivos “cortes” em receitas e recursos humanos para as escolas públicas (o que se consegue, por exemplo, através do aumento do número de alunos por turma), as tentativas de pôr os professores a desempenhar funções que não lhes competem ou a trabalhar mais horas do que deviam, o desaparecimento dos incentivos à fixação de docentes, entre outras medidas tomadas e a tomar.
Esquecem-se que a “matéria-prima” da Educação são crianças e jovens humanos, e que, como consequência, o sucesso desta grande “empresa” não se compadece com reduções nos custos nem com a produção em cadeia.
A consequência mais provável da política economicista deste Governo será o aumento do insucesso educativo.
E previsível também será, depois, a responsabilização das Escolas e especialmente dos professores pelo fracasso de mais uma Reforma Educativa.

Delegação do Faial

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