Sexta-feira, Dezembro 3, 2021
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A Inexistência do Básico

A ideia iluminada, surgida no gabinete do Sr. Secretário, em mexer na regulamentação da componente lectiva e não lectiva, colocando os professores 26 horas nas escolas veio trazer uma “bagunçada” nas escolas com graves consequências para a prática pedagógica e, num futuro próximo, para a qualidade de ensino ministrado nesta região.
Muito bem Sr Secretário. Eu não quero as 26 horas regulamentares. Eu não quero que se esforce a conceder-me 9 horas para trabalho individual. (Afinal V. Exa sempre reconhece que é necessário trabalho individual a realizar fora do estabelecimento de ensino!) Mas, eu não quero essas 9 horas.
Quero cumprir as 35 horas no meu local de trabalho. Mas, Sr. Secretário, quando falo no meu local de trabalho refiro-me a um espaço de trabalho que não a sala de aula. Esse é o local da componente lectiva, onde trabalho directamente com os alunos. Quero um espaço digno e com todas as condições próprias de quem planifica, analisa e avalia o Acto Pedagógico. Não sou exigente, mas ao menos um gabinete equipado, uma secretária de trabalho, os materiais com que diariamente preparo o meu trabalho, canetas, lápis, papel…enfim. toda a parafernália típica de um escritório que temos lá por casa! (sem custos para a Secretaria da Educação) Ah! se não for demais (exigimos) um computador e um impressora com os respectivos consumíveis.
E depois tudo será mais fácil. Como qualquer funcionário, não trazemos nada para casa. Tudo fica no local de trabalho. De certeza que iremos ser mais felizes. Teremos noites para conversar e ver filmes em família (não temos aulas a preparar); teremos fins-de-semana livres (não teremos testes para corrigir, nem materiais a preparar); teremos mais espaço em casa (não necessitaremos de um espaço próprio para os papéis, livros, dossiers… que ocupam uma divisão específica lá de casa)…
Ah! E como somos funcionários públicos (como V. exa gosta tanto de afirmar) teremos a possibilidade, de tirar ferias nos períodos que desejarmos; teremos a possibilidade de fazer jornada contínua.enfim todas as coisas comuns à função pública geral!
Acho que só temos a ganhar com esta medida! Vamos a ver se o Secretário nos ouve e nos prepara essa escola do futuro, onde todos iremos, felizes e contentes, a trabalhar em espaços dignos de PROFESSORES!

Fernando Vicente

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